Abitureiras [Santarém]

Na matriz [invocação de Nossa Senhora da Conceição*], do lado da Epístola, observa-se uma tábua (1700 mm x 1750 mm) representando o Pentecostes (c. 1590), atribuída por Vitor Serrão ao Mestre de Abitureiras [1].


[*] A fundação da matriz está ligada ao desencantamento de duas mouras. Conta-se que viveram aqui duas fiandeiras, apodadas de Aventureiras (donde o topónimo Abitureiras) que mantinham óptimas relações com elas. Tendo logrado de algum modo quebrar o encantamento às mouras, com as quais dançavam muitas vezes até de madrugada, estas, em paga, tornaram-nas riquíssimas. Com os bens assim obtidos terão decidido empreender a construção da igreja [...] Neste templo, existe a imagem de uma enigmática Santa Sens que, segundo a crença local, deve manter-se constantemente virada para uma janela, a qual deve permanecer sempre aberta, condição necessária para não desaparecer [2].


[1] Manuel J. Gandra, Dicionário do milénio lusíada, volume 1, pp. 39-40.
[2] Boletim da junta de província do Ribatejo, 1937-1940, p. 54. Vide, igualmente, Manuel J. Gandra, Portugal sobrenatural, volume 1, p. 28.
Vilar Formoso [Almeida, Guarda]


            A norte da povoação de Vilar Formoso fica o sítio chamado Tegril que, tudo o indica, parece ser um genitivo de origem germânica, Trasigildus, aludindo a uma villa Trasigildi, muito provavelmente, do século IX ou X, existente na margem da ribeira de Tourões, pelo que o seu povoamento pode ter tido o princípio nessa villa ou numa fracção dela, o velho villar que, despovoado, veio a repovoar-se no século XII a partir de Castelo Bom. É provável que a primitiva localização da atual povoação tivesse sido nas imediações da capela da Senhora da Paz, pois aí foram encontrados abundantes vestígios de construções [1].
A organização paroquial da freguesia é seguramente anterior ao século XIII, uma vez que a [sua] igreja é já citada e taxada, em 15 libras, no arrolamento de 1320.


A igreja matriz [2] e a capela de Nossa Senhora da Paz [3] são obra dos Cavaleiros Templários e, posteriormente, [foram] pertença da Ordem de Cristo.


[1] Alicerces de casas, soleiras, azulejos e tijolos de pavimento, etc. [vide nota seguinte]. Sinal de um povoamento local antiquíssimo são as sepulturas incrustadas na rocha.
[2] A planta da igreja é de uma só nave, com a abside, lugar do altar de menor dimensão, separada por um singelo arco de meio ponto. Na planta da nave rectangular tem quatro arcos de meio ponto apoiados sobre pilares que sustentam o tecto apoiado sobre vigamento de madeira [...] O portado da frontaria com um conjunto de lóbulos e o remate junto ao solo fala-nos de estilos posteriores. O dintel da porta exterior da porta exterior da torre, exterior ao corpo da igreja, à planta inicial, fala-nos da época posterior na qual impera o barroco [...] Este artesanato tem uma armadura mudéjar, que é decoração da combinação da arte cristã e da ornamentação muçulmana [...] Uma abundância de flores embleza todos e cada um dos espaços do sacrário em cuja porta reluz o Senhor Ressuscitado. [A.A.F. Gonçalves, Vilar Formoso, vila raiana]
[3] A Capela é de traça talvez românica. O Românico chegou a terras portuguesas no final do Séc. XI. É um estilo de carácter monástico, pois foi importado e difundido por ordens religiosas.
Tem como particularidades as grossas paredes, estrutura simples e robusta e uma sóbria decoração.
Capela antiga, cueva matriz e da fundação dos Templários, dedicada à Nossa Senhora da Paz. É muito provável que as ruinas encontradas junto à capela, pertençam a um convento da Ordem. [Idem]
Janeiro de Baixo [Pampilhosa da Serra, Coimbra]


Janeiro de Baixo é uma freguesia do concelho de Pampilhosa da Serra e está implantada a sul, junto ao [rio] Zêzere, fazendo fronteira com o [concelho do] Fundão. Foi comenda da Ordem de Cristo e pertenceu às comendas do padroado real. Em 1600 foi avaliada em 100 mil réis, em 1882 deixou de pertencer à diocese da Guarda passando para a de Coimbra e em 1885 passou do concelho de Fajão para o atual.
Segundo alguns autores, Janeiro deriva da corrupção do nome próprio Januário. Trata-se, no entanto, de uma hipótese pouco credível devido ao fato de, na região, o nome ser praticamente desconhecido pelo menos até meados do século XVIII. O mais provável é que o seu nome seja uma corrupção de uma palavra de origem latina ou [mesmo] pré-latina.
Duas Igrejas [Vila Verde, Braga]


Crê-se que [Duas Igrejas] já existia como povoamento em data anterior ao século XII, sendo que, em 1188, é conhecido o primeiro documento escrito relativo a esta freguesia de autoria do arcebispo de Braga [D. Godinho], doando várias propriedades a Sancta Maria Duabus Ecclesiis. Posteriormente, volta a ser referida em documentos de 1219 mas principalmente nas inquirições de 1220, 1258, 1290, 1320, 1371 e 1528.
Foi reitoria da apresentação da Mitra e comenda da Ordem de Cristo [1].

            Com o mesmo nome existem freguesias em Paredes [Porto], Miranda do Douro [Bragança] e Penafiel [Porto].


[1] Foram seus comendadores, entre outros, Francisco de Távora, conde de Alvor e vice-rei da Índia, D. João de Castro de Penela e o poeta Sá de Miranda.
[Santa Maria de] Abade de Neiva [Barcelos, Braga]

            […] Pois tudo vemos ter nascido já (anteriormente ao ano de 1220) nas Inquirições de então, além de outras muitas mais possessões, que bem podiam formar a separada Comenda de Feal, por Final [1], expressas ao menos no parágrafo 196, e seguinte desta Parte I, se achar na Terra, ou Julgado de Prado (a fl. 98 ou 108 dos Livros I e II de D. Afonso II), que a dita Ordem de Malta estava tendo, particularmente na sobredita freguesia de Santiago de Franzelos, ou de Francellos [2], dezasseis casais, e um moio de pão, com vinte pissotas de renda: declarando-se mais de vista, na Inquirição da mesma freguesia no ano de 1258, que numa herdade, a qual partia com outra deixada à Igreja por um Pedro Mendes do Outeiro (diverso daqueles, ou daquele, de que se falou já para o fim do parágrafo 57 acima), de que davam outras duas varas de pano de bragal por fossadeira já o Hospital & fosse ainda a terça daquelas duas varas. E fará talvez pelo mais contexto, que fique prudente a conjetura, de que aquela grande aquisição fora por deixa e testamento de uma dona Jordana. Mas não achando, nem podendo apurar mais coisa alguma específica a este respeito, pelo Antigo Registo do Cartório de Leça; também não me consta, que exista resto algum daquele Couto na Vila, e no termo do Prado: dentro da qual já lembra o P. António Carvalho no Tomo I, Tractado III, Capítulo XI, p. 247, da sua Corografia Portuguesa, haver uma só Paróquia da invocação de Santa Maria e primeiro o tinha sido Santiago de Francellos, hoje Capela particular, que era Comenda de Cristo, e Reitoria da Mitra, com 180 vizinhos; sem que nesse termo apareçam conhecidos como Coutos mais do que os de Freiriz [3], Azevedo [4], e Manhente [5], dos quais fala no Capítulo XIII, p. 250. Quando não queiramos supor, ou conjeturar apenas, que perdendo a Ordem de Malta por qualquer modo, e em tempos desconhecidos o seu Couto de Feal [Faial], talvez com as suas pertenças, até imediatamente para a Ilustre Casa de Freiriz [6]; proceda daqui, e venha por tudo a dever declarar-se o que ali acrescenta o referido Autor, sobre ser antiquíssimo o dito Solar daquela Casa: se bem não faltava quem dissesse tomara esse nome, por ser vivenda de Freires Cavaleiros Templários, Senhores do mesmo Couto (com Juiz Ordinário do Cível, e Órfãos, e Escrivão do Concelho, indo-se no Crime a Prado): aproveitando-se a geral confusão, que em outros lugares tenho lembrado haver a respeito das ainda mais conhecidas, ou certas possessões dos Malteses neste Reino. E D. Gonçalo, ali Comendador da sobredita primeira idade, entre todos os Freires do Hospital com este nome conhecidos, somente poderá ser o D. Gonçalo Egas ou Viegas que com tal nome se pretende chegara a ocupar o primeiro a Dignidade de Prior da mesma Ordem em Portugal, como vai abaixo no parágrafo 242 ainda desta Parte I. Suposto que por outra parte não é impossível que naquela Concórdia se tratasse já da Quinta do Fial [Faial], a que ainda depois de feito prazo da Ordem de Cristo, se encontra unida desde os princípios dela (certamente em sucessão à dos Templários) a Comenda de Cabo Monte; tudo no Bispado do Porto: podendo nela confirmar Freire ou Comendador Templário; assim como nos Documentos desta Ordem se acham confirmando e sendo testemunhas alguns Malteses. Não me chega a ser líquido se algumas pertenças que restaram da sobredita antiga Comenda e Couto de Feal [Faial] ficariam ainda unidas à de Chavão [7]; ou antes às de Aboim [8] e Távora [9] como parece mais próprio e coerente ao seu distrito: sendo certo ao mesmo tempo que é muito diversa coisa o Couto de Feaes [Faial] do qual vai a particular notícia com uma Doação aí feita à Ordem de Malta na Nota 33 ao parágrafo 51 da Parte II. [Nova Historia da Militar Ordem de Malta, e dos senhores grão-priores della em Portugal…, parte I, pp. 262-264]


[1] Casa do Faial, atualmente dedicada ao turismo rural.
[2] Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, Porto.
[3] Vila Verde, Braga. O nome deriva do latim vila frederici, ou seja, quinta do Frederico.
[4] Caminha, Viana do Castelo.
[5] Barcelos, Braga.
[6] Ou dos Meneses da Barca. O senhor deste couto foi Fernão Nunes Barretto, igualmente [quarto] senhor de Gafanhão [Castro Daire, Viseu] e senhor do couto de Penagate [Amares, Braga].
[7] Barcelos, Braga.
[8] Fafe, Braga.
[9] Arco de Valdevez, Viana do Castelo.
Tamel [Santa Leocádia de] [Barcelos, Braga]


            O nome Tamel, ao que tudo indica, provem do árabe thamel, ou seja, descuido, negligência ou desprezo [1].
            Esta localidade situa-se num fértil vale [2] que se estende desde o monte [do] Tamel até à margem direita do [rio] Cávado, e foi vigairaria da apresentação das freiras beneditinas do mosteiro de Viana [da Foz do Lima], por oferta do [seu] abade Jorge de Miranda Henriques [3].
            Nas Inquirições de 1220 aparece como pertencendo à Terra de Nevia e com a designação de Sancta Leocádia de Tamial [4]. Nelas, pode-se ler: quod Rex nullum habet ibi Regalen-gum – quod Rex non est inde patronus – quod ista ecclesia habet senarias et 5 casalia Tempium 2 casalia Balneum 4 casalia Santa Maria de Gallecos 1 casale Hospitale 1 casale.
Ou seja, nesta localidade a Ordem do Templo possuiu cinco casais e a Ordem de São João [Hospitalários] um [casal].


[1] Ao que parece foi também um santo que terá sido martirizado pelo imperador [romano] Adriano.
[2] Neste mesmo vale encontramos [ainda] as localidades de Famel [São Pedro de Fins de] e Tamel [São Veríssimo].
[3] Curiosamente, os marcos divisórios ainda conservam as siglas SB [São Bento] como consta do tombo da freguesia efetuado em 20 de setembro de 1549 e existente no arquivo distrital de Braga [caixa 251].
[4] Aliás, já no Censual de D. Pedro [1070-1093], primeiro bispo de Braga, aparece com esta [mesma] designação.
[Pedra tumular de] frei António de Lisboa


Transcrição da pedra tumular do famigerado frei Antonio de Lisboa, destruidor do que restava da memória templária em Tomar... ano [de] falecimento: 1551.
Esta lápide no chão da Charola está frente à soleira da porta que conduz à torre sineira, na 6.ª aresta do deambulatório a partir do arco de entrada no recinto...
Daqui se infere o que bem lhe assenta: 1+5.5+1 = 666 o diabólico número bíblico... [aqui]
[Santa Maria de] Abade de Neiva [Barcelos, Braga]


Inicialmente chamada de [Santa Maria de] Abade, [Santa Maria de] Vado ou [Santa Maria de] Condevão foi [uma] fundação [em 1152] da rainha D. Mafalda [1] e pertenceu, desde o reinado de D. João I, que a doou a seu filho D. Afonso, ao padroado da casa de Bragança.
A Ordem do Templo, possuiu vários casais [nove] e uma quintana [2] nesta localidade [3]. Foi igualmente pertença da Ordem de Cristo que aí tinha uma comenda [velha, cuja cabeça era a igreja de Santa Maria*], à qual pertencia a casa do Faial [Prado, Braga] sucessivamente aforada, durante o século XVIII, a Lourenço de Castro Alcoforado, juntamente com a comenda de Cabo Monte, junto a Barcelos, no distrito de Braga [4], e a D. Manuel de Azevedo e Ataíde, seu descendente e senhor da honra de Barbosa Barbeita [5].

[*] A iconografia dos quatro capitéis subsistentes no portal ocidental da igreja românico-gótica de Santa Maria retoma alguns temas consagrados: aves afrontadas dessedentando-se numa copa, malabarista, bailarina no papel de sedutora (porquanto acompanhada por uma serpente). Invulgar é a figuração de um ferreiro, bem como a temática de outro capitel de difícil interpretação, no qual a cabeça de um cão (?) surge junto à perna direita de um homem com as mãos nas ancas [6].


[1] Mulher de D. Afonso I.
[2] A quinta do Faial? No seu portão interior vê-se / via-se a seguinte inscrição: Casa e quinta do Fayal pertença da comenda de Cabo Monte na Ordem de Cristo.
[3] Inquisitiones, col. I, p. 227.
[4] Ordenações de 16 de agosto de 1326.
[5] Cf. o padre António Carvalho da Costa, Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal ..., volume I, 1706. Vide Manuel J. Gandra, Guia Templário de Portugal, em Cadernos da Tradição, n.º 1, p. 225.
[6] Manuel J. Gandra, Idem.
A-dos-Ruivos [Carvalhal, Bombarral, Leiria]


O artigo inicial a seguido de dos significa a terra dos, por exemplo: vou à terra dos Ruivos ou, simplesmente, vou à dos Ruivos.
Ao que se julga crer, a origem do seu nome poderá encontrar-se no(s) povo(s) que, na época da reconquista, lá se terão fixado, ou seja, cristãos nórdicos, francos ou bretões [cruzados]. Os mouros chamavam-lhes rúbios, ruivos ou francos [1].
Em 1337, a população fundou uma albergaria e uma confraria [2], o que denuncia a passagem [por lá] de um grande número de peregrinos.
Nesta localidade existe uma ermida dedicada ao [culto do] Espírito Santo [3].


[1] Existe mesmo a hipótese desta aldeia ter sido fundada por uma família de origem franca proveniente, muito provavelmente, de um dos seguintes senhorios: Atouguia, Lourinhã ou Vila Verde dos Francos.
[2] A Albergaria e Confraria do Espírito Santo da dos Ruivos. Carlos Guardado da Silva, A bacia do rio Real, e José Augusto Ramos, Bombarral e o seu concelho.
[3] Manuel J. Gandra, Dicionário do milénio lusíada, volume 1, p. 13.
Olivença


Na primavera de 1230, aquando da reconquista cristã da península ibérica, após a reconquista de Badajoz, Alfonso IX de Leão, como recompensa pela participação dos Cavaleiros Templários portugueses, ofereceu-lhes os enclaves de Burguillos e Alconchel.
Depois, entre esse ano [1230] e o de 1256, a Ordem do Templo estabeleceu, em Olivença [nessa altura era uma pequena povoação que se foi afirmando à volta de uma fonte, a atual fonte de La Corna], a comenda [essencialmente agrícola] de Oliventia, aí erigindo um castelo e uma igreja dedicada a Santa Maria [1].
Em 12 de setembro de 1278 [2], durante o reinado de Alfonso X, o sábio, o bispado de Badajoz desalojou definitivamente os Templários de Olivença.


[1] A igreja de Santa Maria do Castelo foi pertença da Ordem de Avis.
[2] Maria Gil de Sousa, Terras raianas: os casos especiais de Barrancos e Olivença.
Moura Morta [Peso da Régua, Vila Real]

            Num destes dias, enquanto procurava [na internet] já não sei o quê, fui surpreendido com o brasão de Moura Morta, no concelho de Peso da Régua, distrito de Vila Real [1].
            Nele, observei, de imediato, uma cruz da Ordem de Cristo e, depois, uma cruz da Ordem de Malta [2]. Arrebitaram-se-me as orelhas e fui à procura de elementos sobre a mencionada localização, nomeadamente a sua lenda:
Houve noutros tempos um emir [3] que vivia no castro de Cidadelhe e tinha uma criada moura ao seu serviço. Um dia, para tentar obter os favores dos cristãos que eram já muito poderosos nas redondezas, exigiu-lhe que aceitasse receber o baptismo, convertendo-se, desse modo, ao cristianismo. Ela, contudo, recusou. E como castigo, o mouro encerrou-a num cativeiro, acreditando que, pela força, ela cederia aos seus planos.
Um dia a jovem conseguiu fugir, e lançou-se ladeiras abaixo na direcção do rio Sermanha. O mouro, mal deu por isso, veio em sua perseguição. E quando a fugitiva passou para o lado de cá do rio, já no concelho do Peso da Régua, e porque estava já em terras cristãs, abandonou-a.
Entretanto, apanhada pelos cristãos [4], só lhe restavam duas saídas: voltar para trás e entregar-se ao mouro que a perseguia, ou ficar em terras cristãs e converter-se a esta religião.
Não aceitou nenhuma delas. E lavrou assim a sua própria sentença de morte, sendo abatida pelas lanças dos cristãos. E às terras onde o seu corpo foi deixado sem vida, o povo passou depois a chamar Moura Morta [5].


Brasão [de armas]: escudo de prata, com três cômoros de verde, o do centro encimado por um crescente voltado, de vermelho, moventes de uma campanha ondada de prata e azul de quatro tiras; em chefe, cruz da Ordem de Cristo, à dextra e cruz da Ordem de Malta, contornada de vermelho, à sinistra. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: "MOURA MORTA - PESO DA RÉGUA".


[1] Curiosamente existe uma outra freguesia com o mesmo nome no concelho de Castro Daire, distrito de Viseu e cujo nome é igualmente baseado na lenda de uma moura: Uma moura dirigiu-se ao povoado, que, na altura, se chamava Mazes, e encontrou uns rapazes que, sentados à sombra, impediam a sua passagem, já que havia luta entre cristãos e não-cristãos, e bateram-lhe. Ela caiu, morta e foi ai que nasceu o nome Moura Morta.
[2] Ainda hoje existe [ao que parece em ruínas] a casa [senhorial] da [respetiva] comenda, situada na rua que tem por nome de sítio da casa da comenda.
[3] Vide o crescente constante do brasão [de armas].
[4] Ao que dizem algumas vozes seriam Cavaleiros Templários [outros, ao invés, dizem que seriam Cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém], que aí teriam permanecido até à sua extinção, em 1319.
[5] Alexandre Parafita, A mitologia dos mouros: lendas, mitos, serpentes, tesouros, p. 314.
Tomar [origem do nome]


No velho território de Scalabis, os romanos fizeram florescer nas margens do FLUMEN NABIA, a cidade luso-romana de Nabância.
Muitos séculos depois, os árabes iriam rebaptizar o rio que daria o nome à actual Tomar.
Por duas vezes e em épocas distintas, o mesmo rio, iria emprestar o seu nome à Cidade.
Neste lugar, e por volta de 1143, dá-se uma mudança política e militar quando os árabes almóadas tomam o governo aos almorávidas. No entanto, a população mantem-se maioritariamente moçárabe.
Nos nossos arquivos, uma crónica beneditina, refere o ano de 1145 e relata-nos o que a seguir transcrevemos: "... estes dois lugares coexistiam pacificamente; um do lado da colina, habitado pelos árabes almóadas, novos senhores da terra e do castelo de Moçadar  e outro do lado oposto do rio onde a nossa sagrada Ordem possuía o mosteiro de S. Bento de Cellas..."
Em homenagem a Ibn-Tumart, fundador do seu movimento, os almóadas passam a chamar rio Tumart ao Nábia.
Em documentos de origem árabe encontramos a seguinte descrição: "... no interior da al-qashbah (a Alcáçova) de Moçab-d'har (terra de moçárabes), no ponto mais elevado, há uma antiga e forte torre de atalaia que pela sua grande dimensão é usada pelo chefe militar como aposento particular.
Em frente, e numa menor elevação, está a masjid-d'ahriad (templo circular), onde nós, os adeptos (os muridin), nos prostramos perante Allah, o misericordioso. ... nas ruínas da abandonada cidade dos romi, há um mosteiro do santo cristão Benedito, cujos religiosos convivem em paz connosco. ... divide-nos o rio Túmart."
Sabemos pelos nossos registos, que ambos os lugares estavam abandonados já no ano de 1146, um ano antes da tomada de Santarém.
Suspeitamos que, numa estratégia militar sem precedentes, os muridin simulando um ataque cristão, inutilizaram o alcácer de Moçabd'har criando o pretexto para se recolherem em Santarém onde, em pouco menos de um ano, iriam colaborar com as forças portuguesas na tomada da praça forte.
Nada sabemos sobre o destino dos beneditinos que ocupavam a margem contrária do rio Tumart (curiosamente o T final não se pronuncia).
Talvez para evitarem o "fogo cruzado" tenham dado o mesmo fim ao seu mosteiro e partido para norte. Sobre isso não temos registos.
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Treze anos mais tarde, em 1159, a região de Ceras (Cellas ou Sellum) é doada à Ordem do Templo.
O Mestre dos Templários Portugueses, D. Gualdim Pais, encontra o alcácer e a 'rotunda' árabe semi-derrubados e "cobertos de mato", iniciando de imediato a sua recuperação.
Do nome do rio deram mais tarde o nome à povoação e ao castelo.
De Tumart evoluiria para Tomar.
Ao rio, devolveram o nome da velha Nábia lusitana.
Tornou-se com o tempo, rio Nabão.
O rio que banha actualmente a cidade Templária de Tomar. [No incontornável Templários portugueses]
Alfarofe [Elvas, Portalegre]


A herdade / torre de Alfarofe [1] [Alferroze] pertencia à comenda [de Santa Maria Madalena] de Elvas, herdade que lhe adviera [à Ordem do Templo] por doação feita, em 1230, por Martim Mendes [provavelmente o primeiro alcaide mor do castelo de Elvas] e sua mulher D. Domingas, nos seguintes termos:
Notum sit omnibus tam presentibus quam fucturis quod Martinus menendii vna cum vxore mea dona Domjnica: damus et concedimus fratribusd Templi turre de Alfarose cum suis terminis sicut habemus confirmatos per litteras concilii de Elbie in die sancti Stephan mense decembris millessima duocentessima sexagessima octaua. Et quis uenirit super hoc factum sit maledictus a deo Amen et pectet ccc morabitinos predictis fratribus Templi. Et hoc fuit eoram pretore. Testis. Marcus Egidio Rodirici. Joane martini fratre pretoris. Domjnico Taujra Pelagius Marcus consanguíneo Egidii Rodericii Menendus Caneliam Stefano carpentario Pelagius pelagii Balestacio Marcus pelagii mantiz. Martinus garfie homjne pretorie. Jo martinj.
Ou seja: Saibam todos os presentes e [os] por vir que eu Martim Mendes, juntamente com minha mulher Dona Domingas, damos e concedemos aos freires do Templo a torre de Alfarofe, com os seus termos, assim como nós os temos confirmados por carta do concelho de Elvas. No dia de Santo Estêvão, no mês de dezembro. E quem vier contra este fato seja maldito de Deus. Amén. E pague 300 maravedis aos sobreditos freires do Templo. E isto foi feito estando presentes o alcaide D. Martins, Gil Rodrigues, João Martins, irmão do alcaide, Domingos Tavira, Paio Martins, parente de Gil Rodrigues, Mem Coelho, Estêvão, carpinteiro, Gonçalo Pais, besteiro, Martim Garcia, homem da alcaidaria. João Martins [2].

Como comenda da Ordem de Cristo teve como seu último donatário o conde de São Lourenço / marquês de Sabogosa e compunha-se de certas propriedades e foros que rendião em dinheiro 102$000 rs. em trigo 3.437 alqueires; em cevada 1.140 alqueires; em azeite 58 alqueires; em galinhas 140; em queijos de ovelha 132; em arrobas de carne de porco 24; foi lutada em 1.000$000 rs. Por morte do referido Donatario entrou á administração na da fazenda Publica, e todos os bens de que se compunha forão vendidos; restando ainda alguns foros por vender [3].


[1] Muito provavelmente do árabe al faroha, clareira.
[2] ANTT, Gavetas, gaveta 7, maço 9, n.º 12, e P.M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, em O archeologo português, pp. 247-248.
[3] Gazeta de Lisboa, n.º 87, de 14 de abril de 1818.
Aver-o-Mar [Aver-o-Mar, Póvoa de Varzim, Porto]


O topónimo actual Aver-o-Mar, adulterado por via erudita, é uma corruptela do nome arcaico Abonemar, já documentado em 1099, e da designação popular abremar, cujo significado se desconhece, mas que a via erudita terá interpretado como Aver-o-Mar.
A. Santos Graça [1] regista dois relatos …: o do sargaceiro Manuel da Salvada que, enquanto se dedicava à apanha do sargaço, viu um cortejo de vultos brancos [Cavaleiros Templários?] fazendo a romaria em torno do penedo da pegadinha [ermida de Santo André entre as freguesias de Aguçadora e Aver-o-Mar]; e o de pai e filho que observaram um cortejo de luzes provenientes do mar com o mesmo intuito [2].


[1] A crença poveira nas “Almas penadas”, em Homenagem a Martins Sarmento, 1933, p. 361.
[2] Em Manuel J. Gandra, Portugal sobrenatural, volume 1, p. 14.