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Abrançalha [de Baixo e de Cima] [São Vicente [1], Abrantes, Santarém]


O nome da localidade terá tido origem no do alcaide [mouro] Abraham Zaid, que dominou Abrantes até à conquista da cidade por D. Afonso Henriques, no ano de 1148 [2]. No entanto, o topónimo radicará, com maior probabilidade, no da cabeça do Concelho (a que se acrescentou o sufixo alha). Encontramo-lo já formado e sem variante num documento de 29 de Abril de 1350 (AHCA, SV, 1, 13) [...] - transcrição de um documento de 2 de Setembro de 1317 [3].

Foi casa da Ordem de Cristo, sita na diocese da Guarda, fundada após a reforma (1529) de frei António de Lisboa. O Breve de Gregório XIII (1572-1585), pelo qual foi novamente reformada a Ordem (11 de novembro de 1577), extingui-la-ia conjuntamente com o convento de Nossa Senhora da Luz [Carnide, Lisboa], alegadamente por se acharem “em lugares muito indecentes para que os freires que nela vivem possam mandar-se a Seminários mais sadios dos estudos e fora de perigos, conformar-se na vida com os seus freires [4].


[Abrantes] tem 2 conventos de frades e 2 de freiras. [...] o Convento dos frades de S. António foi fundado por D. Lopo d'Almeida, 3.º Conde d'Abrantes, começando as obras em 1526; era situado no sítio da Ribeira de Abrançalha, no mesmo local em que existira a ermida de N. S.ª da Luz. Os frades viveram 45 anos n'este convento, mas por falta de condições hygienicas, ou porque o tempo e a falta d'aceio o tornasse insolubre, o facto é que os frades começaram a pensar na construcção d'outro convento [5] [6]


[1] compreende [...] os logares de Fonte do Aipo, Val do Rabão, Moinho dos Cubos, Casal, Abrançalha de Baixo, Abrançalha de Cima, Senhora da Luz, Val de Cerejeira, Val de Fontes, Outeiro da Senhora da Luz, Val de Sta. Catharina, S. Lourenço, Samarra, Chainça, Esperança, Quinta da Minhoca, Quinta da Areia, Val de Rans, Quinta dos Telheiros, Gumeme, Fonte de S. José, Quinta de S. José, Mesas, Aldeia Rosa, Hortas, Bréjo, Ramalhões, Quinta Velha, Taínho, Concavada, Alfarrarede de Baixo, Alfarrarede de Cima, Barca do Pégo, Magdalena, Chão de Vide, Bom Sucesso, Themudas, Olho de Boi, Entre as Ribeiras, Casaes, com uma ermida, Paul; os casaes de Revelhos, das Sentieiras, da Amarella, Branco, do Gaio, das Necessidades, do Val da Vinha, de Alvaro Gil, de Azenha Nova, de S. Miguel, da Quebrada, da Cordeira, e a quinta das Sentieiras. [Chorographia moderna do reino de Portugal, vol. IV, p. 157)
[2] É tradição que o nome tenha derivado do velho mouro Abraham Zaid, o lendário alcaide. [frei João da Piedade]
[3] Eduardo Campos e Joaquim Candeias Silva, Dicionário toponímico e etimológico do concelho de Abrantes.
[4] Manuel J. Gandra, Guia Templário de Portugal, em Cadernos da Tradição, n.º 1, p. 229.
[5] Diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, numismatico e artístico, vol. I-A, p. 19.
[6] Convento fundado em 1526 no lugar da Ermida de Nossa Senhora da Luz, sendo mais tarde, em 1571, construído na Quinta da Arca. Desta segunda construção, restam apenas algumas ruínas do edifício principal e do seu aqueduto. Em 1601, foi construído pela terceira vez, no monte de Abrantes. Em 1834, depois das Ordens Religiosas serem extintas, ficou votado ao abandono.
Actualmente, desta edificação apenas restam as ruínas do convento e um aqueduto com 17 arcos em volta perfeita. Este convento foi construído segundo a indicação de Filipe I, que ordenou a transferência do convento original da Ribeira da Abrançalha para aqui no final do século XVI e princípio do século XVII, com o apoio de D. Lopo de Almeida, Conde de Abrantes. No século XVII a quinta e o convento foram abandonados pelos frades, que foram para o centro de Abrantes e a propriedade foi vendida a Diogo Marchão e Maria Gamita. Na segunda metade do século XIX toda esta área era possuída por João Freire Temudo Fialho de Mendonça e faz parte da Quinta da Arca.
O sítio que os Frades escolheram para o novo Convento foi na ribeira, chamada de Vale de Rãs, onde se dizia as bicas, por uma de muita água que, atravessando fazendas, corria para os olivais para benefício público. Com o produto da venda do Convento da N. Senhora da Luz, hortas e esmolas da população, comprou-se novo terreno e deu-se início à construção do segundo Convento de Santo António dos Piedosos, em Vale de Rãs, contra a vontade, já anteriormente manifestada dos moradores da Vila de Abrantes. Possuindo melhores condições que o anterior, situado em terreno “plano”, dai chamar-se Chainça, foi então ordenada a transferência da Ribeira da Abrançalha, para a Quinta da Arca, em meados do Século XVI (1571). Património classificado como valor concelhio (Decreto n.º 129/77, de 29 de Setembro), as ruínas do antigo Convento de Santo António ainda apresenta, traços visíveis do que foi a enfermaria, a hospedaria, um dormitório (de que há paredes e janelas das celas), a sacristia, via-sacra e paredes da Igreja. Enquadrado por habitações recentemente construídas, nos terrenos em redor do antigo Convento, ainda se pode ver o que resta do aqueduto que para ali conduzia a água. Na Quinta da Arca, à semelhança do que aconteceu na Ribeira da Abrançalha, os Frades foram assolados por várias doenças. Sem outras alternativas que não fossem os “chãos de Abrantes”, os Frades resolveram aceitar a oferta e construir no monte da Vila, o derradeiro e último Convento de Santo António. [José Manuel d'Oliveira Vieira, em jornal de Alferrarede, n.º 268, fevereiro de 2008]
Algodres [Fornos de Algodres, Guarda]


Em relação à origem do seu nome existem [pelo menos] três teorias, restando aprofundar qual delas poderá ser a correta:
1.      A romana, que o faz derivar da [pretensa] palavra latina alcodrium;
2.      A árabe, ou seja, al cton [algodão] -> Algodrons -> Algodes -> Algodres. Existe [ainda] quem defenda a hipótese de derivar de al godor [plural de gadir], significando lago, lagoa ou [mesmo] ribeiro; e
3.      A celta, através de Al.
A freguesia teve carta de foral dada, em 1200, por D. Sancho I. Posteriormente, a localidade recebeu novo foral, em 6 de março de 1311, dado por D. Dinis e, finalmente, um outro, a 20 de maio de 1514, por D. Manuel.
As Inquirições de D. Afonso III referem-se-lhe várias vezes, destacando-se os nomes dos cavaleiros-fidalgos Afonso Fernandes, Mem Pichel, Fernão Lopes e Estêvão Peres [de Tavares] que, parece, desrespeitavam, no tempo de D. Sancho II, as concessões dos concelhos.
A vigairaria era do padroado real e foi comenda da Ordem de Cristo.

António Bernardo da Costa Cabral nasceu em Fornos de Algodres, pequena vila encravada nas serranias da Beira, distrito da Guarda, a 9 de Maio de 1803, filho segundo de António Bernardo da Silva Cabral, um modesto proprietário rural e lavrador, falecido em Fornos de Algodres em Junho de 1870, Cavaleiro em 1841 e Comendador a 21 de Janeiro de 1845 da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e de sua mulher Francisca Vitória Rebelo da Costa Corte-Real. Não sendo oriundo de família rica, os pais, face às despesas que já incorriam com os estudos do filho mais velho, optaram por lhe destinar uma carreira militar.
Para tal, mandaram-lhe ensinar as primeiras letras pelo abade da terra, como era então costume, mas o jovem tão bem se houve que aos 15 anos de idade estava habilitado com os preparatórios da Universidade de Coimbra, para onde o pai, com grande sacrifício da economia familiar, se resolveu enfim a mandá-lo também. Ali, aluno brilhante, conclui em 1823, com apenas 20 anos de idade, a sua formatura em Direito, iniciando de imediato a prática da advocacia. [aqui]

De entre as várias lendas existentes [1], destaco a da [chamada] quinta do Inferno:
Um certo homem constatou que junto de uma gruta ou fonte se reuniam uns indivíduos estranhos. Resolveu investigar e durante uma noite de inverno constatou que eram diabos disfarçados de pessoas, embora com chifres na testa.
Foi descoberto e teve de fugir indo agarrar-se à corda do sino, talvez para o tocar a rebate. Contudo, não o chegou a fazer porque, àquela hora [meia-noite] cantou um galo preto e os diabos fugiram apressadamente.
Deste fato resultou chamar-se àquele sítio quinta do Inferno e a Algodres terra onde o diabo tem património.


[1] Lapa negra, lage escorregadia e lage da rainha, etc.
Oldrões [Penafiel, Porto]


[Santo Estêvão de] Oldrões é uma freguesia do concelho de Penafiel e o seu território abrange o castro de Monte Mozinho, uma das mais vastas estâncias castrejas peninsulares, e o neolítico castro do Reguengo.
No antigo concelho de Penafiel de Sousa a igreja de Oldrões foi, no passado, abadia de apresentação da casa da Calçada [1], de onde passou, mais tarde, para a comenda [local] da Ordem de Cristo e, por fim, para a reitoria da Mitra. 

[1] Pertença de Gonçalo Peixoto Silva, Senhor dos direitos reais deste concelho e das armas que ferem.
[Igreja de Nossa Senhora de Águas Santas de] Rio Covo Santa Eulália [Barcelos, Braga]

A Freguesia de Rio Côvo Santa Eulália pertence ao Concelho de Barcelos, Distrito de Braga […] Banhada pelo Rio Côvo, Rio Côvo Santa Eulália está situada parte na encosta do Monte de Remelhe, que aqui lhe chamam Monte Grande, e parte em vale ameno e fértil. Confina com as Freguesias de São Paio de Midões e Várzea, a Norte; Carvalhas e Silveiros, a Sul; Moure, Fonte Coberta e Carreira, a Nascente e, ainda, com Remelhe, a Poente.
O documento mais antigo que se conhece mencionando esta freguesia data do ano de 906 [1], designando-a de Santa Eulália de Águas Santas, Santa Olaia ou Santa Baia, como outrora lhe chamava o povo. Só mais tarde é que viria a adoptar o apelido do rio que nela passa. Aparece neste tempo igualmente com a designação de Sylva Scura significando “bosque escuro” dando a entender que seria uma zona de mata densa. As suas fronteiras mantêm-se desde então sem alterações significativas. A designação de “Águas Santas” resulta das águas de uma fonte desta Freguesia serem consideradas milagrosas [2].
No Censual de Braga, do século XI, já surge com a designação de Santa Eulália de Ribulo Côvo. A Freguesia aparece ainda mencionada nas Inquirições de D. Afonso II, em 1220. Depois, em 1290, aparece como Couto de Santa Ovaia de Rio Côvo.
Rio Côvo Santa Eulália, estava integrada nas Terras de Faria. O Rei não tinha aqui algum reguengo e davam ao Senhor da terra “colheita” umas vezes o terço, outras o quarto e outras o quinto. Esta Freguesia tinha dentro dos seus limites sesmarias e 18 casais, o [Ordem de São João do] Hospital [de Jerusalém] 11 Casais, o [Cónegos Regrantes do Santo] Sepulcro 1 casal e Várzea 4 casais. A sua comenda tinha ainda casais em Midões, Silveiros, Remelhe, Moldes, Pedra Furada, Chorente, Moure, Paradela, Pereira, etc.
Esta Freguesia foi Comenda dos da Ordem dos Templários que, segundo a opinião de alguns escritores, foi admitida em Portugal, em 1125, pela Rainha D. Tareja. Em 1128, já tinha casa em Braga, onde também teve um Hospital. Extinta a Ordem dos Templários em 1312, el-rei D. Dinis criou a nova Ordem de Cristo, passando para esta todos os bens daquela. […] [aqui]


[1] Está datado de 11 de janeiro e trata de um litígio entre os bispos de Iria Flávia [Dom Sesnando] e de Coimbra [Dom Nausto] sobre a posse da igreja e villa de Santa Eulália [Diplomata et Chartae, n.º XIII].
[2] Aqui existe uma nascente de águas de cujas propriedades, ainda hoje, o povo fala com admiração e que relaciona com as Caldas de Eirogo, além Cávado. Há a crença na existência de umas antigas termas que acabariam nos tempos dos mouros.
Que aqui tinham existido umas termas romanas ou, pelo menos, um santuário ligado ao culto das águas, tão frequente no Noroeste peninsular, não pode haver dúvida. [Carlos Alberto Ferreira de Almeida, Ainda o documento XIII dos Diplomata et Chartae]
Rosmaninhal [Idanha-a-Nova, Castelo Branco]


Esta e outras povoações da chamada raia, assim como toda a região entre os rios Zêzere e Erges eram já dos cristãos no tempo de D. Teresa embora estivessem despovoados.
Em 1165, D. Afonso Henriques doou Idanha-a-Velha e Monsanto, ao qual pertencia o vasto território mencionado supra, a D. Gualdim Pais, mestre provincial da Ordem do Templo [em Portugal] [1]. Foi, contudo, com D. Sancho, ao doar o território de Idanha a D. Lopo, sucessor de Gualdim Pais, que o repovoamento do local terá tido consistência [2].
Como sabido, após a extinção da Ordem do Templo, D. Dinis conseguiu que os seus bens fossem adjudicados à coroa e, em 1319, cedeu-os à Ordem de Cristo, fundada a instâncias suas [3]. Rosmaninhal passou assim para a nova Ordem sendo seus comendadores os marqueses de Fronteira e Alorna.
Em 1 de junho de 1510, D. Manuel [I] outorgou-lhe o [seu] primeiro e único foral conhecido.


[1] Foi por esta altura que o castelo terá sido construído e, dentro dele, a igreja [atual igreja matriz, situada na parte mais elevada da povoação e está rodeada por um amplo adro, a antiga barbacã], com cemitério anexo [*].
[2] Por um documento datado de 1307 e feito pelo bispo egitanense D. Vasco Martins sabemos que o Rosmaninhal foi pertença da Ordem do Templo e que foi um dos seus freires quem primeiro a povoou.
Este documento serviu como ação contra a Ordem do Templo por causa da jurisdição da Ordem sobre Idanha-a-Velha e Salvaterra e dos castelos de Rosmaninhal, Segura e Proença, apresentado para prova que Idanha-a-Velha e respetivo concelho não pertencia aos Templários, uma doação que D. Sancho II tinha feito ao bispo D. Vicente.
Este documento aparece transcrito num outro que D. Dinis mandou lavrar na Guarda, a 27 de abril de 1307, e diz:
Quando o rei D. Sancho II vosso tio povoou a cidade de Idanha-a-Velha (foral de 1229) e lhe tivesse dado termo demarcado por certos marcos, dentro desses marcos do termo de Idanha o mestre D. Pedro Álvares sem consentimento do concelho de Idanha-a-Velha tivesse povoado Proença e que D. Estêvão Beumeten frade dessa Ordem tivesse povoado o Rosmaninhal dentro dos marcos do termo de Idanha-a-Velha e tenham agora os frades os dois lugares contra a vontade do concelho de Idanha-a-Velha cujos devem ser e devem servir e fazer reverência como aldeias à sua cidade onde têm termo e foro. Pedimos por mercê que julgueis na cidade de Idanha-a-Velha, Proença e Rosmaninhal por suas aldeias pois estão em seu termo segundo o que parece por ser termo de Idanha-a-Velha.
[3] No tombo da comenda da Ordem de Cristo, datado de 1321, lê-se: Tem primeiramente a dita vila uma igreja da povoação de Nossa Senhora qual largamente se trata no processo das visitações, na visitação da dita igreja e se faz quando este tombo se mandou fazer. O mesmo acontece com os tombos de 1678 [onde se refere a capela de Nossa Senhora dos Remédios ou capela das Chuças] e de 1776.

            [*] No cemitério foram encontradas várias estelas [**], não necessariamente templárias, apresentando, a sua grande maioria, representações da cruz [***] grega, também conhecida por:
                        Cruz de braços curvilíneos [Abel Viana, Manuel J. Gandra, Beleza Moreira];
                        Cruz pátea [Manuel J. Gandra];
                        Cruz patada [Ana Cristina Oliveira];
                        Cruz orbicular [Almeida Garrett];
                        Cruz espalmada de braços côncavos [Félix Alves Pereira];
                        Etc.

            [**] Dois grupos, um dos quais desaparecido, compostos por seis estelas cada [Vide Mário Lobato Chambino, Rosmaninhal. Lembranças de um mundo cheio… e Francisco Henriques, João Caninas e Mário Chambino, Carta arqueológica do Tejo internacional, vol. 3].

            [***] Esta foi a cruz adotada, em meados do século XII, pelos Cavaleiros Templários. Assim, A Cruz aparece carregada de significado e é um dos símbolos mais documentados desde os tempos mais remotos. A Cruz simboliza a Terra e é a base de todos os símbolos de orientação (se tivermos em conta os pontos cardeais) […] è a cruz que estrutura a planta dos Templos, que atravessa os campos e os cemitérios. A intersecção dos seus braços marca as encruzilhadas. A iconografia Cristã conotou a cruz com a imagem da crucificação de Cristo. [Jorge Guedes e Luís Costa, Cabeceiras de sepulturas do adro da igreja matriz de Loures, Actas do VIII congresso internacional sobre estelas funerárias, realizado entre 16 e 18 de maio de 2005, em O arqueólogo português, suplemento 3, p. 199-213]
Várzea [Arouca, Aveiro]


Várzea, freguesia do concelho de Arouca e distrito de Aveiro, fica localizada num fértil vale junto à veiga do [rio] Arda, sendo que o seu orago é o Divino Salvador [1].
O povoamento do seu território remonta, pelo menos, à época pré-romana, o que se comprova pelos castros aí existentes. Um dos mais importantes é o [chamado] casal da Malafaia [2], descoberto em 1987, casal agrícola cuja ocupação se situa entre os finais do império romano até ao período visigótico ou [mesmo] até ao período de dominação árabe.
Um dos documentos mais antigos relativos à freguesia mostra que nela possuía bens à família de João Gosendes [3], uma vez que, um seu irmão de nome Nuno Gosendes, vendeu, em 1101, a D. Toga de Viegas os bens herdados de sua mãe [D. Aragunta Mendes] que aí possuía.
Segundo o Censual do cabido lamacense, datado da primeira metade do século XVI, a igreja era da apresentação do mosteiro de Arouca e, no final do século XVIII, D. Joaquim de Azevedo dizia que ela se chamava [também] Salvador do Brugo e era comenda da Ordem de Cristo.


[1] Existem provas documentais de documentam a sua existência já no século X.
[2] Cf. os topónimos Moradal ou Muradal que corresponderão a um derivado de muro que outra coisa não deve significar senão defesa castreja.
[3] Ao que julgo saber tratava-se de um rico-homem especialmente detentor de bens [herdados] no concelho de São Pedro do Sul.
Águas Belas [Ferreira do Zêzere, Santarém]


A primeira referência que se conhece mencionando Águas Belas data de 1159, quando D. Afonso Henriques doa a região à Ordem do Templo. Em 1190, é D. Sancho I quem cede a Pedro [Pero] Ferreira, fundador de Ferreira do Zêzere, uma herdade que este povoou e que, mais tarde, viria a constituir o morgadio de Águas Belas.
Aliás, a Pedro Ferreira e a sua mulher, Maria Vasques, se deve a primeira carta de foral da povoação então designada de Vila Ferreira ou Abas de Aquabela.
Em 1319, pouco após a extinção da Ordem do Templo, estes territórios passam para a posse da Ordem de Cristo e, em 1356, é instituído o morgadio de Águas Belas [1], na pessoa de D. Rodrigo Álvares Pereira [2], irmão do célebre condestável. D. Manuel [I] outorgou-lhe foral [novo] em 1513 e D. João III, em 1531, elevou-a à categoria de vila.


[1] Dom Pedro pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que Álvaro Fernandes escudeiro meu vassalo tutor de Rodrigo Álvares e de Pedro Álvares e de Diego Alvares criados do prior do Hospital me disse que ele e Gomes Martins do monte outrossim meu vassalo e João Afonso natural de Sevilha fizeram doações de parte de seus bens aos sobreditos cujo tutor ele é como se contém em escrituras públicas de tabeliães que tais são. Em nome de Deus amém saibam quantos esta carta de doação e de ordenação e de morgado virem que eu Álvaro Fernandes escudeiro vassalo do infante D. Pedro dou e outorgo por juro e herdade para sempre a vós Rodrigo Álvares filho de D. Álvaro Gonçalves de Pereira as minhas quintas de Águas Belas e de Vale de Orjaes com todas as herdades também de pão como de vinho assim arrotas como por arromper e com todos os casais e matas e defesas e com todo o senhorio e couto e honra e jurisdição e padroado da igreja de Santa Maria do dito lugar de Águas Belas e com todas as entradas e saídas e divisões e com todos seus usos e direitos e coisas e pertenças que às ditas quintas pertencem de direito e de facto também nos termos e divisões das ditas quintas como fora deles. E esta doação e ordenação faço por esta guisa que depois da nossa morte fiquem as ditas quintas e as coisas sobreditas ao primeiro filho lídimo que houverdes e assim fique sempre ao maior filho daqueles que de vós descenderem lidimamente. E quando hi houver filho lídimo a filha lídima não possa herdar como quer que maior seja. E quando hi não houver filho lídimo que então fiquem as ditas quintas e casais e pertenças delas e senhorio e jurisdição e padroado a Pedro Álvares irmão do dito Rodrigo Álvares e aos seus filhos e aos descendentes deles pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares. E não ficando filhos lídimos do dito Pedro Álvares que fiquem a Diego Álvares e daí em diante fiquem pela linha direita aos descendentes dele. E se hi não houver descendentes fiquem a seus irmãos que venham da parte do dito D. Álvaro Gonçalves padre do dito Diego Álvares e haja os para sempre uma pessoa por morgado pela guisa que dito é de Rodrigo Álvares e de seus descendentes. E quando estes susoditos não houverem filhos lídimos que então as filhas maiores possam herdar assim como dito é dos filhos maiores lídimos e assim os seus descendentes deles. E ficando estas pessoas susoditas extintas e os descendentes delas que então fiquem as ditas quintas e casais e jurisdição e senhorio e padroado e pertenças delas ao Hospital de Santa Maria de Flor da Rosa. E esta doação vos faço por muito bem e muita mercê que me fez vosso padre e aqueles donde vindes e dou e outorgo eu dito Álvaro Fernandes a vós dito Rodrigo Álvares quer a vosso tutor ou criador poder cumprido para entrardes em tença e a posse das ditas quintas e coisas susoditas sem outorgamento de juiz ou doutra pessoa qualquer e sem outra nenhuma figura de juízo. E sobre tudo isto prometo e outorgo que esta doação e ordenação e morgado vá sempre por firme e estável e que nunca contra ela venha por nenhuma maneira a….damente que nunca a revogarei ainda que depois fizerdes ou disserdes algumas das coisas que dizem as leis por que as doações podem ser revogadas. E todas estas coisas e cada uma delas prometo por mim e por meus herdeiros de guardar e cumprir e de não vir contra nenhuma delas sob pena de quatro mil libras a qual pena pagada ou não a dita doação ordenação fique sempre firme e valedora feita a dita carta em bom jardim termo da Sertã seis dias de Setembro era de mil trezentos e noventa e quatro anos [ou seja, 1356].
Testemunhas: frei João Fernandes comendador da Flor da Rosa e João Afonso e Vasco Rodrigues e Gomes Martins escudeiros do prior do Hospital e outros. E eu Domingos Vicente tabelião de nosso senhor El-Rei na Sertã a isto presente e rogado fui e a mandado e outorga do dito Álvaro Fernandes esta carta da dita doação e coisas escrevi e meu sinal aqui fiz que tal é.
E para as ditas doações serem firmes e estáveis para sempre e não poderem ser desfeitas nem revogadas pediu-me por mercê o dito Álvaro Fernandes como tutor dos ditos moços e em seu nome deles que lhas confirmasse e outorgasse as ditas doações como em elas é conteúdo e lhes mandasse dele dar minha carta. E eu vendo o que me pedia e querendo fazer graça a mercê aos ditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares de minha certa ciência e de meu poder absoluto outorgo-lhes e confirmo as ditas doações que lhes assim os sobreditos Álvaro Fernandes e Gomes Martins e João Afonso fizeram das ditas quintas e coutos e honras e pertenças e direitos delas e as hei por firmes estáveis para sempre pela guisa que lhes pelos sobreditos foram dadas e outorgadas e é conteúdo nas ditas cartas das ditas doações. E se nas ditas doações e em esta minha carta de confirmação falecem algumas clausulas que de direito e de costume aí devessem ser postas para as ditas doações serem valiosas e estáveis eu as hei aqui por postas e escritas. E quero e mando que lhe não possa porem de fazer nenhum prejuízo. E que valham e sejam firmes e estáveis para sempre sem outro nenhum valimento. E em testemunho disto mandei dar aos sobreditos Rodrigo Álvares e Pedro Álvares e Diego Álvares esta minha carta selada do meu selo de chumbo dada em Elvas XX de Maio El-Rei o mandou por Lourenço Esteves seu vassalo Vasco Anes a fez era de mil trezentos e noventa e nove anos [isto é, 1361]. [Chancelaria de D. Pedro I, Livro 1, fl. folha 53v. Vide António Baião, A vila e concelho de Ferreira do Zêzere, pp.64-66]
[2] D. Rodrigo Álvares Pereira, legitimado pelo Rei D. Pedro a 26 de Agosto de 1357, foi constituido pelo seu tutor, Álvaro Fernandes, escudeiro do Infante D. Pedro, a 6 de Setembro de 1356, morgado da Quinta de Orjais e de Águs Belas (Ferreira do Zêzere), com todas as dependências, senhorio, couto, honra, jurisdição e padroado da igreja. A instituição do morgado de Águas Belas viria a ser confirmada por D. Pedro, a 20 de Maio de 1361.
Acrescem ainda outros senhorios que lhe foram doados, agora por D. Fernando, a 14 de Dezembro de 1375, como as vilas de Sousel, Vila Nova, Vila Ruiva, e as azenhas de Anhalouro e de Bamlhequero, no termo de Estremoz.
Relativamente a Águas Belas o mesmo atesta o excerto seguinte: “A história desta localidade anda de braço dado com a da fundação da nacionalidade e com as principais famílias do Reino, daí que num documento datado de 1222 encontramos já uma referência, quiçá a mais remota que se conhece, a "abas de aquabela" o que nos permite concluir não só da antiguidade deste povoado como da existência de um representante do clero nos seus limites geográficos.
Já no século XIV, mais concretamente em 6 de Setembro de 1356, El Rei institui um Morgado de Aguas Belas entregando-o ao fidalgo Rodrigo Alvares Pereira, irmão daquele que viria mais tarde a ser o Condestável do Reino e filhos ambos de Alvaro Gonçalves Pereira.”
Ora, D. Rodrigo torna-se assim o primeiro senhor de Águas Belas; sucedendo-lhe depois Álvaro Pereira, Galiote Pereira, João Pereira, Rui Pereira, sendo posteriormente integrado na Coroa, uma vez que Rui Pereira não teve descendentes. Todavia, Violante Pereira contesta esta decisão, tendo ganho a posse do morgado de Águas Belas que passou para as mãos de seu filho. Violante Pereira havia casado com Francisco Sodré, que viria a morrer na Índia. Deste casamento advém o nome dos Sodré Pereira, que continuaram a ser os senhores de Águas Belas.
D. Rodrigo, que lutou ao lado de D. João I, o Mestre de Avis, na defesa de Lisboa contra os castelhanos e no cerco de Torres Novas, viria a ser aprisionado na sequência desta última batalha, e libertado em Santarém, quando esta cidade voltou à posse de Coroa Portuguesa. Todavia, fruto de algumas «desinteligências», viria a morrer em Castela, perdendo algumas mercês.
Ora, aqui está toda uma realidade histórica que religa a minha «pátria» à memória da família Álvares Pereira. Desde miúdo ouvia falar da Quinta dos Pereira, na chamada Águas Belas velha, sem saber deste relacionamento familiar.
Aqui está também uma razão, que por si só, legitima esta vontade indómita de participar na canonização de D. Nuno. Certamente acrescida de muitas outras: a sua santidade - deste santo Português -; a sua íntima relação com nossa identidade; a sua capacidade de se desprover de tudo para abraçar o “bem maior”; e, mesmo, a sua relação com a Ordem do Carmelo, que me faz ligá-lo espiritualmente àqueles que, mais tarde, apenas no século XVII, povoaram e renovaram a bela Mata do Buçaco - a Ordem dos Carmelitas. Por tudo isto, participar num momento tão significativo da nossa memória, da nossa identidade e da nossa espiritualidade, torna-se para mim um dom. [aqui]
Vilar Formoso [Almeida, Guarda]


            A norte da povoação de Vilar Formoso fica o sítio chamado Tegril que, tudo o indica, parece ser um genitivo de origem germânica, Trasigildus, aludindo a uma villa Trasigildi, muito provavelmente, do século IX ou X, existente na margem da ribeira de Tourões, pelo que o seu povoamento pode ter tido o princípio nessa villa ou numa fracção dela, o velho villar que, despovoado, veio a repovoar-se no século XII a partir de Castelo Bom. É provável que a primitiva localização da atual povoação tivesse sido nas imediações da capela da Senhora da Paz, pois aí foram encontrados abundantes vestígios de construções [1].
A organização paroquial da freguesia é seguramente anterior ao século XIII, uma vez que a [sua] igreja é já citada e taxada, em 15 libras, no arrolamento de 1320.


A igreja matriz [2] e a capela de Nossa Senhora da Paz [3] são obra dos Cavaleiros Templários e, posteriormente, [foram] pertença da Ordem de Cristo.


[1] Alicerces de casas, soleiras, azulejos e tijolos de pavimento, etc. [vide nota seguinte]. Sinal de um povoamento local antiquíssimo são as sepulturas incrustadas na rocha.
[2] A planta da igreja é de uma só nave, com a abside, lugar do altar de menor dimensão, separada por um singelo arco de meio ponto. Na planta da nave rectangular tem quatro arcos de meio ponto apoiados sobre pilares que sustentam o tecto apoiado sobre vigamento de madeira [...] O portado da frontaria com um conjunto de lóbulos e o remate junto ao solo fala-nos de estilos posteriores. O dintel da porta exterior da porta exterior da torre, exterior ao corpo da igreja, à planta inicial, fala-nos da época posterior na qual impera o barroco [...] Este artesanato tem uma armadura mudéjar, que é decoração da combinação da arte cristã e da ornamentação muçulmana [...] Uma abundância de flores embleza todos e cada um dos espaços do sacrário em cuja porta reluz o Senhor Ressuscitado. [A.A.F. Gonçalves, Vilar Formoso, vila raiana]
[3] A Capela é de traça talvez românica. O Românico chegou a terras portuguesas no final do Séc. XI. É um estilo de carácter monástico, pois foi importado e difundido por ordens religiosas.
Tem como particularidades as grossas paredes, estrutura simples e robusta e uma sóbria decoração.
Capela antiga, cueva matriz e da fundação dos Templários, dedicada à Nossa Senhora da Paz. É muito provável que as ruinas encontradas junto à capela, pertençam a um convento da Ordem. [Idem]
Janeiro de Baixo [Pampilhosa da Serra, Coimbra]


Janeiro de Baixo é uma freguesia do concelho de Pampilhosa da Serra e está implantada a sul, junto ao [rio] Zêzere, fazendo fronteira com o [concelho do] Fundão. Foi comenda da Ordem de Cristo e pertenceu às comendas do padroado real. Em 1600 foi avaliada em 100 mil réis, em 1882 deixou de pertencer à diocese da Guarda passando para a de Coimbra e em 1885 passou do concelho de Fajão para o atual.
Segundo alguns autores, Janeiro deriva da corrupção do nome próprio Januário. Trata-se, no entanto, de uma hipótese pouco credível devido ao fato de, na região, o nome ser praticamente desconhecido pelo menos até meados do século XVIII. O mais provável é que o seu nome seja uma corrupção de uma palavra de origem latina ou [mesmo] pré-latina.
Duas Igrejas [Vila Verde, Braga]


Crê-se que [Duas Igrejas] já existia como povoamento em data anterior ao século XII, sendo que, em 1188, é conhecido o primeiro documento escrito relativo a esta freguesia de autoria do arcebispo de Braga [D. Godinho], doando várias propriedades a Sancta Maria Duabus Ecclesiis. Posteriormente, volta a ser referida em documentos de 1219 mas principalmente nas inquirições de 1220, 1258, 1290, 1320, 1371 e 1528.
Foi reitoria da apresentação da Mitra e comenda da Ordem de Cristo [1].

            Com o mesmo nome existem freguesias em Paredes [Porto], Miranda do Douro [Bragança] e Penafiel [Porto].


[1] Foram seus comendadores, entre outros, Francisco de Távora, conde de Alvor e vice-rei da Índia, D. João de Castro de Penela e o poeta Sá de Miranda.
[Santa Maria de] Abade de Neiva [Barcelos, Braga]

            […] Pois tudo vemos ter nascido já (anteriormente ao ano de 1220) nas Inquirições de então, além de outras muitas mais possessões, que bem podiam formar a separada Comenda de Feal, por Final [1], expressas ao menos no parágrafo 196, e seguinte desta Parte I, se achar na Terra, ou Julgado de Prado (a fl. 98 ou 108 dos Livros I e II de D. Afonso II), que a dita Ordem de Malta estava tendo, particularmente na sobredita freguesia de Santiago de Franzelos, ou de Francellos [2], dezasseis casais, e um moio de pão, com vinte pissotas de renda: declarando-se mais de vista, na Inquirição da mesma freguesia no ano de 1258, que numa herdade, a qual partia com outra deixada à Igreja por um Pedro Mendes do Outeiro (diverso daqueles, ou daquele, de que se falou já para o fim do parágrafo 57 acima), de que davam outras duas varas de pano de bragal por fossadeira já o Hospital & fosse ainda a terça daquelas duas varas. E fará talvez pelo mais contexto, que fique prudente a conjetura, de que aquela grande aquisição fora por deixa e testamento de uma dona Jordana. Mas não achando, nem podendo apurar mais coisa alguma específica a este respeito, pelo Antigo Registo do Cartório de Leça; também não me consta, que exista resto algum daquele Couto na Vila, e no termo do Prado: dentro da qual já lembra o P. António Carvalho no Tomo I, Tractado III, Capítulo XI, p. 247, da sua Corografia Portuguesa, haver uma só Paróquia da invocação de Santa Maria e primeiro o tinha sido Santiago de Francellos, hoje Capela particular, que era Comenda de Cristo, e Reitoria da Mitra, com 180 vizinhos; sem que nesse termo apareçam conhecidos como Coutos mais do que os de Freiriz [3], Azevedo [4], e Manhente [5], dos quais fala no Capítulo XIII, p. 250. Quando não queiramos supor, ou conjeturar apenas, que perdendo a Ordem de Malta por qualquer modo, e em tempos desconhecidos o seu Couto de Feal [Faial], talvez com as suas pertenças, até imediatamente para a Ilustre Casa de Freiriz [6]; proceda daqui, e venha por tudo a dever declarar-se o que ali acrescenta o referido Autor, sobre ser antiquíssimo o dito Solar daquela Casa: se bem não faltava quem dissesse tomara esse nome, por ser vivenda de Freires Cavaleiros Templários, Senhores do mesmo Couto (com Juiz Ordinário do Cível, e Órfãos, e Escrivão do Concelho, indo-se no Crime a Prado): aproveitando-se a geral confusão, que em outros lugares tenho lembrado haver a respeito das ainda mais conhecidas, ou certas possessões dos Malteses neste Reino. E D. Gonçalo, ali Comendador da sobredita primeira idade, entre todos os Freires do Hospital com este nome conhecidos, somente poderá ser o D. Gonçalo Egas ou Viegas que com tal nome se pretende chegara a ocupar o primeiro a Dignidade de Prior da mesma Ordem em Portugal, como vai abaixo no parágrafo 242 ainda desta Parte I. Suposto que por outra parte não é impossível que naquela Concórdia se tratasse já da Quinta do Fial [Faial], a que ainda depois de feito prazo da Ordem de Cristo, se encontra unida desde os princípios dela (certamente em sucessão à dos Templários) a Comenda de Cabo Monte; tudo no Bispado do Porto: podendo nela confirmar Freire ou Comendador Templário; assim como nos Documentos desta Ordem se acham confirmando e sendo testemunhas alguns Malteses. Não me chega a ser líquido se algumas pertenças que restaram da sobredita antiga Comenda e Couto de Feal [Faial] ficariam ainda unidas à de Chavão [7]; ou antes às de Aboim [8] e Távora [9] como parece mais próprio e coerente ao seu distrito: sendo certo ao mesmo tempo que é muito diversa coisa o Couto de Feaes [Faial] do qual vai a particular notícia com uma Doação aí feita à Ordem de Malta na Nota 33 ao parágrafo 51 da Parte II. [Nova Historia da Militar Ordem de Malta, e dos senhores grão-priores della em Portugal…, parte I, pp. 262-264]


[1] Casa do Faial, atualmente dedicada ao turismo rural.
[2] Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, Porto.
[3] Vila Verde, Braga. O nome deriva do latim vila frederici, ou seja, quinta do Frederico.
[4] Caminha, Viana do Castelo.
[5] Barcelos, Braga.
[6] Ou dos Meneses da Barca. O senhor deste couto foi Fernão Nunes Barretto, igualmente [quarto] senhor de Gafanhão [Castro Daire, Viseu] e senhor do couto de Penagate [Amares, Braga].
[7] Barcelos, Braga.
[8] Fafe, Braga.
[9] Arco de Valdevez, Viana do Castelo.