[Santa Maria de] Abade de Neiva [Barcelos, Braga]
[…] Pois tudo vemos ter nascido já (anteriormente ao ano de 1220) nas Inquirições de então, além de outras muitas mais possessões, que bem podiam formar a separada Comenda de Feal, por Final [1], expressas ao menos no parágrafo 196, e seguinte desta Parte I, se achar na Terra, ou Julgado de Prado (a fl. 98 ou 108 dos Livros I e II de D. Afonso II), que a dita Ordem de Malta estava tendo, particularmente na sobredita freguesia de Santiago de Franzelos, ou de Francellos [2], dezasseis casais, e um moio de pão, com vinte pissotas de renda: declarando-se mais de vista, na Inquirição da mesma freguesia no ano de 1258, que numa herdade, a qual partia com outra deixada à Igreja por um Pedro Mendes do Outeiro (diverso daqueles, ou daquele, de que se falou já para o fim do parágrafo 57 acima), de que davam outras duas varas de pano de bragal por fossadeira já o Hospital & fosse ainda a terça daquelas duas varas. E fará talvez pelo mais contexto, que fique prudente a conjetura, de que aquela grande aquisição fora por deixa e testamento de uma dona Jordana. Mas não achando, nem podendo apurar mais coisa alguma específica a este respeito, pelo Antigo Registo do Cartório de Leça; também não me consta, que exista resto algum daquele Couto na Vila, e no termo do Prado: dentro da qual já lembra o P. António Carvalho no Tomo I, Tractado III, Capítulo XI, p. 247, da sua Corografia Portuguesa, haver uma só Paróquia da invocação de Santa Maria e primeiro o tinha sido Santiago de Francellos, hoje Capela particular, que era Comenda de Cristo, e Reitoria da Mitra, com 180 vizinhos; sem que nesse termo apareçam conhecidos como Coutos mais do que os de Freiriz [3], Azevedo [4], e Manhente [5], dos quais fala no Capítulo XIII, p. 250. Quando não queiramos supor, ou conjeturar apenas, que perdendo a Ordem de Malta por qualquer modo, e em tempos desconhecidos o seu Couto de Feal [Faial], talvez com as suas pertenças, até imediatamente para a Ilustre Casa de Freiriz [6]; proceda daqui, e venha por tudo a dever declarar-se o que ali acrescenta o referido Autor, sobre ser antiquíssimo o dito Solar daquela Casa: se bem não faltava quem dissesse tomara esse nome, por ser vivenda de Freires Cavaleiros Templários, Senhores do mesmo Couto (com Juiz Ordinário do Cível, e Órfãos, e Escrivão do Concelho, indo-se no Crime a Prado): aproveitando-se a geral confusão, que em outros lugares tenho lembrado haver a respeito das ainda mais conhecidas, ou certas possessões dos Malteses neste Reino. E D. Gonçalo, ali Comendador da sobredita primeira idade, entre todos os Freires do Hospital com este nome conhecidos, somente poderá ser o D. Gonçalo Egas ou Viegas que com tal nome se pretende chegara a ocupar o primeiro a Dignidade de Prior da mesma Ordem em Portugal, como vai abaixo no parágrafo 242 ainda desta Parte I. Suposto que por outra parte não é impossível que naquela Concórdia se tratasse já da Quinta do Fial [Faial], a que ainda depois de feito prazo da Ordem de Cristo, se encontra unida desde os princípios dela (certamente em sucessão à dos Templários) a Comenda de Cabo Monte; tudo no Bispado do Porto: podendo nela confirmar Freire ou Comendador Templário; assim como nos Documentos desta Ordem se acham confirmando e sendo testemunhas alguns Malteses. Não me chega a ser líquido se algumas pertenças que restaram da sobredita antiga Comenda e Couto de Feal [Faial] ficariam ainda unidas à de Chavão [7]; ou antes às de Aboim [8] e Távora [9] como parece mais próprio e coerente ao seu distrito: sendo certo ao mesmo tempo que é muito diversa coisa o Couto de Feaes [Faial] do qual vai a particular notícia com uma Doação aí feita à Ordem de Malta na Nota 33 ao parágrafo 51 da Parte II. [Nova Historia da Militar Ordem de Malta, e dos senhores grão-priores della em Portugal…, parte I, pp. 262-264]
[1] Casa do Faial, atualmente dedicada ao turismo rural.
[2] Gulpilhares, Vila Nova de Gaia, Porto.
[3] Vila Verde, Braga. O nome deriva do latim vila frederici, ou seja, quinta do Frederico.
[4] Caminha, Viana do Castelo.
[5] Barcelos, Braga.
[6] Ou dos Meneses da Barca. O senhor deste couto foi Fernão Nunes Barretto, igualmente [quarto] senhor de Gafanhão [Castro Daire, Viseu] e senhor do couto de Penagate [Amares, Braga].
[7] Barcelos, Braga.
[8] Fafe, Braga.
[9] Arco de Valdevez, Viana do Castelo.
Sem comentários:
Enviar um comentário