Alfarofe [Elvas, Portalegre]


A herdade / torre de Alfarofe [1] [Alferroze] pertencia à comenda [de Santa Maria Madalena] de Elvas, herdade que lhe adviera [à Ordem do Templo] por doação feita, em 1230, por Martim Mendes [provavelmente o primeiro alcaide mor do castelo de Elvas] e sua mulher D. Domingas, nos seguintes termos:
Notum sit omnibus tam presentibus quam fucturis quod Martinus menendii vna cum vxore mea dona Domjnica: damus et concedimus fratribusd Templi turre de Alfarose cum suis terminis sicut habemus confirmatos per litteras concilii de Elbie in die sancti Stephan mense decembris millessima duocentessima sexagessima octaua. Et quis uenirit super hoc factum sit maledictus a deo Amen et pectet ccc morabitinos predictis fratribus Templi. Et hoc fuit eoram pretore. Testis. Marcus Egidio Rodirici. Joane martini fratre pretoris. Domjnico Taujra Pelagius Marcus consanguíneo Egidii Rodericii Menendus Caneliam Stefano carpentario Pelagius pelagii Balestacio Marcus pelagii mantiz. Martinus garfie homjne pretorie. Jo martinj.
Ou seja: Saibam todos os presentes e [os] por vir que eu Martim Mendes, juntamente com minha mulher Dona Domingas, damos e concedemos aos freires do Templo a torre de Alfarofe, com os seus termos, assim como nós os temos confirmados por carta do concelho de Elvas. No dia de Santo Estêvão, no mês de dezembro. E quem vier contra este fato seja maldito de Deus. Amén. E pague 300 maravedis aos sobreditos freires do Templo. E isto foi feito estando presentes o alcaide D. Martins, Gil Rodrigues, João Martins, irmão do alcaide, Domingos Tavira, Paio Martins, parente de Gil Rodrigues, Mem Coelho, Estêvão, carpinteiro, Gonçalo Pais, besteiro, Martim Garcia, homem da alcaidaria. João Martins [2].

Como comenda da Ordem de Cristo teve como seu último donatário o conde de São Lourenço / marquês de Sabogosa e compunha-se de certas propriedades e foros que rendião em dinheiro 102$000 rs. em trigo 3.437 alqueires; em cevada 1.140 alqueires; em azeite 58 alqueires; em galinhas 140; em queijos de ovelha 132; em arrobas de carne de porco 24; foi lutada em 1.000$000 rs. Por morte do referido Donatario entrou á administração na da fazenda Publica, e todos os bens de que se compunha forão vendidos; restando ainda alguns foros por vender [3].


[1] Muito provavelmente do árabe al faroha, clareira.
[2] ANTT, Gavetas, gaveta 7, maço 9, n.º 12, e P.M. Laranjo Coelho, As Ordens de Cavalaria no Alto Alentejo, em O archeologo português, pp. 247-248.
[3] Gazeta de Lisboa, n.º 87, de 14 de abril de 1818.

Sem comentários:

Enviar um comentário